quinta-feira, 22 de maio de 2014

eSCOLHA - por Vinícius Linné

Há dias em que ele escolhe a desatenção. Sim, ele escolhe. O aleamento, a palidez, a impessoalidade de quem passa pela vida à passeio. Ele escolhe flanar nas ruas, sem dar atenção a qualquer um que diga seu nome. Ele escolhe até não reconhecer o próprio nome, não dito assim, em boca alheia, com outro tom que não o dela.

Há uma espécie de loucura seletiva, então. Uma loucura bem mansa e um pouco tristonha. Loucura de olhos baixos e baços, de não cantarolar na rua, de não cumprimentar os vizinhos, de não responder os emails. Loucura de só existir, de não viver, ver, sentir, ouvir.

Ele escolhe pausas, ele coleciona vazios, ele se deixa seduzir pelo não estar onde se está. E esse, então, passa a ser o seu ideal máximo: não estar. E não ser, obviamente. Não ser chefe, não ser colega, não ser o que sorri ao falar com quem não se gosta ou não se conhece. Ele escolhe internalizar. E, por isso, é chamado de louco. E não é louco qualquer um que abdique da razão do outro em benefício do próprio coração? E não é louco aquele que, podendo escolher, se escolhe?

Um comentário:

  1. Guilherme Mossini Mendel30/05/2014 13:13

    Vinicius, acompanho sempre os seus textos aqui neste blog. E o "anjo maldito"... abandonou? Espero que não...

    Até mais!
    Tudo de bom!

    ResponderExcluir

o Febre CRÔNICA agradece sua leitura e comentário.